segunda-feira, 1 de junho de 2026


 




                                           era dia tal hora não sei 



          o jovem homem na madrugada batia o pé com força na cama com medo pois a barca

           estava afundando. buzinas e paineis coloridos na uti. o jovem homem debatia-se até che

            gar o sossega-leão, no oceano das horas a dor misturada com enjoo. enfermeiros circu

            lavam sem cessar finalmente a sonda começava a ficar limpida. buzinas e cores na volta

            da anestesia vi pontos coloridos a voz de maisa. o braço direito  e mão amortecidos. o jo

             vem homem fora abduzido pelas luzes alienigenas era dia tal hora não sei...

              segundo dia a cicatriz no abdomem doia muito limitando os movimentos analgesicos e 

             antibioticos pingavam as buzinas desafinadas poderiam ser ajustadas para um trecho de

             sinfonia. hora tal dia não sei não consigo dormir o jovem homem acorda da abdução, 

             tomo banho no leito minha esposa meu amparo segura minha mão em silencio oro para

             omolu as horas não sei tiram sangue várias vezes o médico avisa que vai fazer doppler do

              meu braço deu trombose levo um susto comecei a tomar vacina no braço. o tempo não 

              existe só percebo quando maite ou maisa chegam.

              os alienigenas continuam frequentando a uti segundo  o jovem homem sem visitas a linha

              da vida e da morte são irmãs o entubado a frente não aguenta entra em óbito correria de 

               medico enfermagem cortina fechada depois silencio.evoco guardião laroye....a vida num 

               segundo atrás a morte observa a programação da televisão repete-se. os conflitos  huma

                nos seguem seu curso.desejar uma janela ver o azul sentir o calor na pele o vento.

                queria entrar numa gira e cantar ponto de yemanjá ogum omulu velho curador seu ma

                rabô leva demanda no toque do tambor...somos nus despojados de tudo ao pó retornare

                mos. Maisa passa varias noites ao meu lado voltava para casa tomar um banho descançar ao retornar comentava da cachorrinha Dora que dormia no meu travesseiro a saudade apertava.  lá fora começa a esfriar acompanhantes entram agasalhados algumas enfermeiras 

                discutem horas extras escala de serviço agenda de férias parecendo assembleia sindical 

                sorrio sem ser percebido. término de plantão do dia tal sem alta médica o acesso escapa

                o jovem homem recebe visitas finalmente.  dia tal medir pressão oxigenação troca de fraudas o médico passa em visita faço pergun

                 tas medicaçao correndo os dias um oceano eu navegante na turbulencia confiante em em yemanjá. recebo alta da uti de madrugada vou para o quarto. outro dia 

                 tal passa médico faz perguntas diz que meus exames estão bons me dá alta para casa 

                 fazer acompanhamento ambulatorial....meu gol de placa !  ambulancia chega despeço-me da familia que angustiada aguarda os ultimos momen

                 tos do patriarca.

                 ambulancia entra no condominio os ontens ficam no hospital. noite fria minha casa calor que conforta abraço mi

                 nha filha minha esposa. minha luta sempre....sexta feira voltei....axé.....