VELUDO AZUL
Naquele
feriado prolongado não acordou com azia, sentia-se leve, não
acordou nenhuma vez no meio da madrugada, a dor na coluna
desaparecera, estranhou seu próprio bem estar. O verão fervia, os
raios de sol invadem as frestas da janela o quarto, seu corpo, seu
rosto. Levanta-se com agradável leveza, sem resmungar, sem mal
dizer, sem lembrar do vencimento das contas, estava feliz consigo
mesmo.
O
rádio amanhece ligado, seu companheiro das noites de insônia,
feriado prolongado, as estradas para o litoral já estavam
congestionadas, a cidade ficava deserta, o stress coletivo estava
voltado para as filas no pedágio, a Imigrantes congestionada era
noticiário na TV.
Sente-se
leve, então sorri. Suzana estava na cozinha passando café, o
melhor perfume de uma casa, café passado na hora, lembra a infância.
Suzana serena, lhe oferece a bebida quente, já passava dos quarenta,
mas continuava com os contornos apetitosos. A rotina dos anos, foram
atrofiando seu bom humor, as rugas do tempo estavam invadindo sua
alma, deixou de usar batom, passar sombra nos olhos, não sentia-se
atraente, foi mutilando seus desejos, em nome da rotina, na verdade,
um estímulo, poderia reverter sua apatia diária. Hugo admirado
consigo mesmo gostaria se fosse possível congelar esses momentos e
vive-los repetidamente, apenas essa fração de bem estar, essa paz
que surgiu envolvendo seu corpo. Afinal estava vazio de amarguras,
pensamentos mesquinhos, maldosos, ou de trágicos acontecimentos,
isso seria a tal felicidade ? Se não é, poderia, como voltar o
tempo sempre nesses instantes plenos de satisfação. A luz solar
invade a sala, reflexos quebrados iluminam o corredor, a cozinha, a
casa fica renovada de um bem estar que há muito estava esquecido no
seu dia-a-dia cinzento, cheio de azedumes.
Começou
a olhar para Suzana com desejo viril de adolescência, Hugo
aproxima-se de Suzana e a abraça forte, beija seu pescoço, ela
feliz com a surpresa gosta e oferece seus lábios molhados e
carnudos. Feriado prolongado bem vindo ! maravilhosamente afrodisíaco
pensou Suzana, Hugo despe sua camisola, beija seus seios excitados,
seu ventre, de mãos entrelaçadas, as bocas procuram-se com frenesi,
logo depois o sofá ensolarado abriga os corpos sedentos, os
sussurros obscenos..
Naquele
dia, Suzana e Hugo amaram-se com fúria, os ponteiros do relógio
perderam sua utilidade, o dia azul em esplendido vigor revitalizou os
enamorados, redescobriram-se amantes.
Em
silencio e felizes entreolhavam-se. O brilho do olhar de Suzana
estava cinematográfico, tornou-se bela, como há muito tempo os
olhos de Hugo não via ou deixou de perceber, Hugo sentia-se um
imberbe. Nesse estado de felicidade, esqueceram das mazelas
cotidianas, vestiram-se e saíram para comemorar a felicidade,
foram almoçar numa cantina do Bexiga, depois passear, andar pelas
ruas vazias da cidade, tomar chopis no bar Brama, anoitecendo foram
para a rua da Consolação assistir no Belas Artes “Veludo Azul”,
com Isabella Rosellini, de mãos dadas, como se fossem debutantes do
amor.
Aquele
feriado prolongado foi inesquecível para Hugo e Suzana, que nem
importaram-se com a chuva repentina, a demora do ônibus para voltar
para casa...
Elson
Alegretti Rodrigues 20/02/2011
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