Osasco
I
...escorregando
ando
rua antonio agú abaixo
feira
de sons, motores aquecidos
lojas,
edifícios, faróis
desalinhada
arquitetura sem roseirais,
cinza,
cinza.
Colégio
raposo tavares
meus
temores com logaritmos
trigonometrias,
vil
verde-amarelismo nas lousas
jorgeamando
lia voraz
apitos de trem
apitos de
fábricas
chaminés
gritantes
II
máquinas
máquinas
operários
calados
colados
nas máquinas
esperavam primavera
sem classes
Lamarca jazia
José Ibrahin no exílio
dragonas espalhavam dias de sombra
dragonas espalhavam dias de sombra
marciais soldados
oliva
rondavam ruas da
cidade
em nome da ordem
ame-o
ou deixe-o
pesadelos abrindo
portas
mata
mata !
Na
praça antonio menk
desempregados
desembrulhados
desesperança
brasileira
em
pichações punk punk
no terminal de ônibus
...embaré dois por um cruzeiro !
...embaré dois por um cruzeiro !
picolé
quem vai querer...
em
andrajos proféticos
velha
Tica pedia esmola
para
beber cachaça
expelindo
palavrões ensandecidos
III
na biblioteca pública
minha iniciação em
poetar
aprendiz com Drummond,
Oswald, Mário,
rascunhar reversos
sartrear
na
frígida arquitetura urbana
morena
bole relâmpago o vazio interior
amor
inflama
flama
rubra
rosas
em chamas na rua minas bogasian
teatro
Núcleo Expressão
...fim de crepúsculo
lotados coletivos
despejando
cansaço e suor na
periferia
Osasco never more
o amor-menino
estrofe vibra no ar
na
plataforma trem que chega, trem que parte
incandescência do verbo
não
finda
impregnada
nos ossos...
1982/2013

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