quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Osasco
I

...escorregando
ando rua antonio agú abaixo
feira de sons, motores aquecidos
lojas, edifícios, faróis
desalinhada arquitetura sem roseirais,
cinza,
cinza.
Colégio raposo tavares
meus temores com logaritmos
trigonometrias,
vil verde-amarelismo nas lousas
jorgeamando lia voraz
apitos de trem
apitos de fábricas
chaminés gritantes


II
máquinas
máquinas
operários calados
colados nas máquinas
esperavam primavera sem classes
Lamarca jazia
José Ibrahin no exílio 
dragonas espalhavam dias de sombra
marciais soldados oliva
rondavam ruas da cidade
em nome da ordem


ame-o ou deixe-o
pesadelos abrindo portas
mata
mata !

Na praça antonio menk
desempregados
desembrulhados
desesperança brasileira
em pichações punk punk


no terminal de ônibus
...embaré dois por um cruzeiro !
...embaré dois por um cruzeiro !
picolé quem vai querer...
em andrajos proféticos
velha Tica pedia esmola
para beber cachaça
expelindo palavrões ensandecidos




III

na biblioteca pública
minha iniciação em poetar
aprendiz com Drummond, Oswald, Mário,
rascunhar reversos
sartrear
na frígida arquitetura urbana
morena bole relâmpago o vazio interior
amor inflama
flama rubra
rosas em chamas na rua minas bogasian
teatro Núcleo Expressão

...fim de crepúsculo
lotados coletivos despejando
cansaço e suor na periferia
Osasco never more
o amor-menino
estrofe vibra no ar
na plataforma trem que chega, trem que parte
incandescência do verbo
não finda
impregnada nos ossos...

1982/2013

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