Raiz I
naquelas manhãs pela porta da cozinha entravam cascalhos luminosos
recebia das mãos negras caneca de alumínio
leite morno com flocos de milho
de lenço amarrado na cabeça
mãe duas vezes
Quitéria de tantas lutas
Quitéria das pamonhas saborosas
tio Joaquim seu irmão batia palmas no portão
Quitéria e seus santos
amorosa coragem
naquela casa pequena
espaço enorme de humanidade
na frente do olhar
paredes desfeitas
larga avenida
pretérito bairro operário
com domingos de futebol
Príncipe negro soberano do samba
ensaiava nas ruas
surdos tamborins
carnaval na Tiradentes
naquelas manhãs
Quitéria ouvia a radio Nacional repórter Esso
estendia roupas no varal....

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