quarta-feira, 4 de julho de 2018
Anatomia
o amar transpassa as dobras das horas
noite em camadas
verbo invisível a consumir
a carne da lucidez
na busca do sol
meus dedos de água e sal
cidade e seus sussurros de metal
a poesia germina entre frestas de cimento
esqueletos e ferrugem
o amor esta nu na cama
recomeçar a escrever e lanço-me na quarta-feira finita
despoesia
os pés descalços na rua
a traduzir comoção despudorada
obscena
inquietação pulsa no corpo
II
minha vida
arrancada e salva a ferros
permitiu-me ser com a palavra
e inventar poesia
tradução do existir
palavra com palavra
tijolo perene
minha casa
sangue oxigenando as entranhas
nas escadarias da memória
meus cinquenta e nove anos
saudade de areia cobrindo
cartas esquecidas
fotografias sem data
desassossego na exposição dos segredos
rude revelação
ruas por onde andei
amigos sem endereço
elos desatados
a barba alva
rugas do rosto
brilha no olhar
fulgor de Marte
me faz atônito
reler as palavras
levadas na tarde
cidade vivendo seu normal
bruscamente anoitece
sobre a caneta e papel...
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário