quarta-feira, 7 de março de 2012

ECOS URBANOS



Há um verso enlouquecido no ar

em cada esquina, cruzamento, alamedas,

verso faminto a iluminar os becos escuros

a solidão argêntea dos apaixonados

há um verso sobrevivente

roendo a ferrugem da cidade



Há um Mário

há um Oswald

há um Carlos

todos Andrades mestres na poesia

nos versos que escrevo

Há um verso pichado nos muros

o amor fazendo sua ronda

a desnudar bocas molhadas

antropofagia lasciva dos amantes



Há um silencio e escuro

devorando os livros na estante

há um navio sem bússola na noite cega

há um corpo procurando outro corpo

há um gotejar de palavras

armazenando sentimentos

arquivo dos anos vividos

verso esparramado na tela

comovendo o olhar do pintor

multicor sedenta sem tradução



Há um verso a brotar

na subversão dos sentidos

na brevidade da vida

verso selvagem expelindo crua beleza

apesar da crueldade

da brutalidade incontida

na aquarela urbana

Há um verso flamejante arranhado de luz

madrugada de ébano

ciclo em desatino

na carne do poeta

sem tratados sem métrica ou lucidez

cicatrizado em nossas vidas

há um reverso

há um só verso pulsando em mim !


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