ECOS URBANOS
Há um verso enlouquecido no ar
em cada esquina, cruzamento, alamedas,
verso faminto a iluminar os becos escuros
a solidão argêntea dos apaixonados
há um verso sobrevivente
roendo a ferrugem da cidade
Há um Mário
há um Oswald
há um Carlos
todos Andrades mestres na poesia
nos versos que escrevo
Há um verso pichado nos muros
o amor fazendo sua ronda
a desnudar bocas molhadas
antropofagia lasciva dos amantes
Há um silencio e escuro
devorando os livros na estante
há um navio sem bússola na noite cega
há um corpo procurando outro corpo
há um gotejar de palavras
armazenando sentimentos
arquivo dos anos vividos
verso esparramado na tela
comovendo o olhar do pintor
multicor sedenta sem tradução
Há um verso a brotar
na subversão dos sentidos
na brevidade da vida
verso selvagem expelindo crua beleza
apesar da crueldade
da brutalidade incontida
na aquarela urbana
Há um verso flamejante arranhado de luz
madrugada de ébano
ciclo em desatino
na carne do poeta
sem tratados sem métrica ou lucidez
cicatrizado em nossas vidas
há um reverso
há um só verso pulsando em mim !
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