terça-feira, 6 de março de 2012

GAVETAS VAZIAS





Julho seco

abraça ruas, avenidas

periferia crua

sob concreto urbano.

As sementes conspiram primavera tresloucada

Vivaldi de tamborim e berimbau

prematuro carnaval bole

bocas carmim

mulheres cosméticas

cidade azul sepulta seus pecados

despindo amor acéfalo.

O poeta pesca navios

retalha emoções

inventa cores

faminto por palavras esquecidas

velhas amizades

e flores contorcidas buscando luz.

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