ESTAÇÃO OSASCO
Implacável vento andarilho
varrendo trilhos urbanos
lembranças escondidas
identidades fugindo aos olhos
desbotado cenário suburbano.
Cálice da sede
embriaga-se com acordes de metal
o amor em desespero distribui flores decepadas para quem espera nas plataformas
de repente toda a poesia torna-se inútil,
implacável vento levando rascunhos
a palavra sem retoques.
Gente proletária lota os vagões
apenas olham sem emoção
apenas sobrevivem
apenas produzem mais-valia
o corpo balança no vazio
música férrea sem encanto
o poeta inventa semente de sol
para subverter com luz
cotidiano de resistência...
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