segunda-feira, 5 de março de 2012

ESTAÇÃO OSASCO










Implacável vento andarilho

varrendo trilhos urbanos

lembranças escondidas

identidades fugindo aos olhos

desbotado cenário suburbano.





Cálice da sede

embriaga-se com acordes de metal

o amor em desespero distribui flores decepadas para quem espera nas plataformas

de repente toda a poesia torna-se inútil,

implacável vento levando rascunhos

a palavra sem retoques.



Gente proletária lota os vagões

apenas olham sem emoção

apenas sobrevivem

apenas produzem mais-valia

o corpo balança no vazio

música férrea sem encanto

o poeta inventa semente de sol

para subverter com luz

cotidiano de resistência...






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