terça-feira, 6 de março de 2012

Sirius





Uma mulher de amarelo, funil de dezembros escorrendo pela boca escura da estátua morta. A mulher de amarelo olha viúva o desabar da noite pesada. Cada noite, uma marca na sua carne magra. Ao seu redor redemoinho de crianças-concreto, árvores-concreto, praça-concreto.

Emocionada espera esperança. Seu coração-tormenta poderia assim descansar de prazer nos carinhos do amante impossível. Embarca no mar de luzes da cidade-concreto-fumaça. Argonauta de cada noite perdida, a mulher de amarelo anda pelas ruas e esparrama bálsamo nas cicatrizes da cidade-concreto-fumaça.

Seu olhar de adeus, um labirinto tragando faminta as pessoas descuidadas que caminham ao seu redor. A mulher de amarelo arquiva faces. Após cada caminhada ela volta para a praça-concreto e fita desolada a vastidão do cosmo, a infinita distância de Sirius.




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